Quinta-feira, Dezembro 30, 2010
Quarta-feira, Dezembro 01, 2010
Quarta-feira, Agosto 12, 2009
Entrevistando Darwin - O Retorno

AN: Depois da viagem a bordo do Beagle ainda se passaram mais de 20 anos até a publicação de 'A Origem das Espécies'. Qual o motivo desse longo intervalo?
CD: Chegamos à Inglaterra em 2 de outubro de 1836. Meu amor pela Ciência havia se cristalizado e muitas convicções que tinha haviam sido abaladas. Passei a trabalhar na minha narrativa da viagem, depois na publicação das observações geológicas, e posteriormente as zoológicas. Também passei muito tempo refletindo sobre o que havia visto durante a viagem e sobre as informações obtidas com os especialistas em relação aos animais e plantas coletados também durante a viagem. Troquei muitas cartas com estudiosos espalhados por todo o mundo e fiz alguns experimentos - passando a criar pombos ou cultivando algumas plantas -, sempre visando a obter evidências para as minhas idéias em desenvolvimento.
AN: A reação à publicação do livro lhe causou algum incômodo?
CD: Minha saúde frágil me impediu de participar dos debates públicos que se sucederam à publicação, mas sempre que possível respondia as críticas que surgiam e me correspondia com meus colegas ao redor do mundo. Muitos tinhas reservas quanto a algumas de minhas idéias, mas ainda assim me apoiavam. A reação da Igreja foi principalmente pela interpretação que deram quanto à origem da humanidade, muito mais extrapolada do que as idéias que expus nesse livro. E muitas pessoas a defendiam com muito afinco, como Thomas Huxley, que se autodenominou o 'Buldogue de Darwin'.
AN: E a relação com Alfred Wallace? Há alguns que acreditam que você 'roubou' a teoria dele...
CD: Ele se tornou um grande colaborador e amigo. Recebi o manuscrito do Sr. Wallace em junho de 1858, com idéias quase idênticas as quais eu estava trabalhando, inclusive com termos similares. Pensei em até desistir da publicação, mas Sir C. Lyell e Dr. Hooker me convenceram a apresentar uma prévia a Sociedade Lineana, em conjunto com o Sr. Wallace. Assim ocorreu em 1 de julho de 1858, mas infelizmente tanto eu quanto Mr. Wallace não pudemos estar presente.
CD**: Isso sim é bastante incômodo. A seleção natural ocorre incessantemente na natureza, mas os seres humanos têm o privilégio único de terem consciência dessa força que age sobre o mundo natural, e assim nada nos impede de evitar a implacável luta pela existência que ocorre entre os animais selvagens. Temos uma vantagem que não podemos desperdiçar.
AN: As suas outras obras geralmente ficam ofuscadas pela 'Origem'. Poderia nos destacar algumas delas?
CD**: Meu trabalho está todo disponível em The Complete Works of Charles Darwin Online. Poderia citar "The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex", no qual discuto sobre a evolução da espécie humana e a Seleção Sexual. Ou "On the various contrivances by which British and foreign orchids are fertilised by insects", no qual o poder da seleção natural é exemplificado pela criação de relações complexas por meio da coevolução entre insetos e plantas.
AN: Em setembro de 2008, a Igreja Anglicana (Church of England) pediu desculpas a você na seguinte nota: "Charles Darwin - 200 depois de seu nascimento, a Igreja Anglicana lhe deve desculpas por tê-lo mal interpretado e, ao termos essa primeira reação errônea, encorajado outros também a não lhe compreender. Tentamos praticar a antiga virtude da 'fé buscando a compreensão' e esperamos que isso traga alguma reparação."
CD: Considero meus pensamentos religiosos como assunto que a ninguém possa interessar senão a mim mesmo. Posso adiantar, porém, que não me parece haver qualquer incompatibilidade entre a aceitação da teoria evolucionista e a crença em Deus. Sistematicamente, evito colocar meu pensamento na Religião quando trato de Ciência, assim como o faço em relação à moral, quando trato de assuntos referentes à Sociedade.
CD: A natureza é repleta de criaturas fantásticas. As iguanas que vi em Galápagos são repulsivas, mas as tartarugas são deliciosas. Depois de ler o livro "Selborne", de White, me habituei com muito empenho a observar os costumes das aves e anotar tudo o que via. Estranava haver pessoas que não fossem ornitólogas. Nos tempos de escola, querendo me mostrar corajoso, enfrentei um vira-lata, afugentando-o a pontapés, mas acho que não o machuquei muito, porque ele sequer ganiu. Mesmo assim, senti tamanho remorso por esta atitude cruel, que daquele dia em diante passei a tratar todos os cães com um carinho todo especial, que aos poucos se foi transformando na paixão que hoje sinto por esses animais.

AN: E quanto a sua família?
CD: Casei-me a 29 de janeiro de 1839, com minha prima Emma Wedgwood, em Londres. Mudamos para Down em 1842, e tivemos dez filhos. Mary e Charles infelizmente faleceram quando bebês. A perda de Annie aos 10 anos foi bastante dolorosa. Meus outros filhos - William, Elizabeth, Henrietta, George, Francis, Leonard, Horace - felizmente tiveram uma vida longa. George, Francis e Horace vieram a se tornar membros da Royal Society. Leonard acabou se tornando mentor de biólogo evolutivo Ronald Fisher.
AN: Algum arrependimento na sua vida?
CD: Creio ter agido bem empenhando-me constante e decididamente no estudo da Ciência, ao qual dediquei toda a minha vida. Não sinto remorso de haver cometido pecado grave algum, mas sim o pesar de não ter feito maior bem ao próximo.
AN: Obrigado pela entrevista.
CD**: Obrigado. Que a Seleção Natural esteja com você!
Referências:
- A Origem das Espécies (Charles Darwin)
- Aventuras e Descobertas de Darwin a Bordo do Beagle (Richard Keynes)
- Autobiografia (Charles Darwin)
- Wikipedia
Segunda-feira, Julho 27, 2009
Entrevistando Darwin...

Aprendiz de Neurônio: Muito obrigado pela oportunidade. O que o Sr. acha do movimento Darwin200, que celebra seus 200 anos e os 150 anos da publicação da primeira edição de "A Origem das Espécies"?
Charles Darwin**: Por favor, não é necessário me chamar de Sr., isso é tão vitoriano. Em relação às 'celebrações', eu fico muito honrado, mas acredito que seja também um pouco exagerado. Porém, é sempre bom ter o trabalho reconhecido e espero que isso possa ajudar a divulgar a ciência para a sociedade.
AN: Certamente não é exagero. Poderia nos contar um pouco da sua infância?
CD: Claro. Nasci a 12 de feveireiro de 1809, em Shrewsbury, Inglaterra. Minha mãe, Susannah Darwin, morreu quando eu tinha apenas 8 anos. Meu pai, Robert Darwin, era um estabelecido médico na sociedade. Tinha um irmão, Erasmus, e quatro irmãs, Marianne, Caroline, Susan e Emily. Não acho que tenha sido um bom aluno nas escolas que frequentei, mas desde muito pequeno já tinha um entusiasmo bastante grande em colecionar as mais diversas coisas, de pedras a insetos. Eu nasci um naturalista.
AN: E quanto ao apelido "Mister Gás"?
CD: Recebi-o na escola, quando souberam que ajudava meu irmão no laboratório que ele havia montado no jardim de nossa casa para complementar seus estudos de Química. Foi ali que tive o primeiro contato com a Ciência Experimental (e algumas explosões) , pouco antes de meu pai me enviar à Universidade de Edimburgo, onde meu irmão estava terminando seus estudos de Medicina.
AN: Queria se tornar um médico como seu pai e irmão?
CD: Meu pai gostaria que me formasse em Medicina, assim como ele e meu irmão. Entretanto, achei as aulas entediantes e as cirurgias insuportáveis(e dolorosas), e depois de dois anos em Edimburgo, meu pai compreendeu que eu não tinha inclinação para isso. Assim, sugeriu que me tornasse clérigo e me mandou a Cambridge, para que colasse grau e obtivesse um dos pré-requisitos para que seguisse tal carreira. Não me dediquei como devia aos estudos, preferindo encontros para beber e caçar com os amigos, mas terminei os estudos em 1831.
AN: E quanto aos besouros e escaravelhos? CD: Nada me proporcionava maior prazer em Cambridge do que colecionar escaravelhos. Cheguei a formar uma coleção excelente devido a qual proporcionou enorme satisfação, pois quando observava no "Ilustrações dos Insetos Britânicos", de Stephens, as palavras, pra mim mágicas, ao pé das reproduções de meus exemplares: 'Coletados por C. Darwin'.
AN: E quando tentou comer um besouro?
CD: É... Era apenas paixão por colecioná-los, pois eu não os dissecava e raramente comparava sua morfologia com as descrições publicadas, ainda que os identificasse de alguma maneira. Um dia, em Cambridge, vasculhando em baixo de um tronco velho, vi dois besouros raros e os capturei um em cada mão. Então eu vi um terceiro, um tipo novo, o qual não suportaria perder, daí que eu joguei o besouro da minha mão direita para minha boca. Infelizmente ele liberou um fluído intensamente ácido que queimou minha língua de modo que fui forçado a cuspir o besouro, que fugiu, assim como aquele terceiro. Uma pena.
AN: E a viagem a bordo do Beagle? Ganhou em algum concurso no rádio?
CD: Quando estava deixando Cambridge, o Prof. Henslow me persuadiu a estudar Geologia. E conseguiu que Prof. Sedgwick me levasse a uma excursão para estudar a geologia do norte do país de Wales. Foi uma experiência bastante enriquecedora. Quando retornei a minha casa, encontrei uma carta do Prof. Henslow me informando que havia me indicado como naturalista para uma expedição a bordo do HMS Beagle. Meu pai se opôs a oferta, mas foi convencido pelo meu tio Josiah Wedgwood. Deixei a Inglaterra a bordo do Beagle em 27 de dezembro de 1831.
AN: E a sua relação com o Capitão FitzRoy? Era tão turbulenta quanto muitos acreditam?
CD: O capitão FitzRoy sempre foi muito amável comigo. Ocasionalmente encontrava-se num estado exaltado, quando todos sabiam que era melhor permanecer um pouco afastado até que as coisas se acalmassem. Tivemos um breve desentendimento quanto ao assunto da escravidão, que presenciamos na passagem pela Bahia, Brasil, mas logo nos entendemos. Jantei na cabine do capitão muitas vezes, e sempre trocávamos observações sobre os mais variados assuntos relacionados à viagem. Em relação às minhas narrativas da viagem, sempre me encorajou que as publicasse. Após a viagem, ele se casou e se tornou bastante religioso, passando a discordar de muitas de minhas idéias.
AN: Aposto que a viagem foi como um cruzeiro prolongado?
CD: A viagem do Beagle foi o acontecimento mais importante da minha vida, fundamental para meu desenvolvimento posterior, pois nela desenvolvi minhas faculdades de observação e meu caráter. Mas também devo dizer que sofri muito com as náuseas causadas pelo balanço do navio no mar. Relatei as ocorrências da viagem em algumas publicações. Lembro-me muito das florestas dos trópicos, dos desertos da Patagônia, das montanhas da Terra do Fogo, das ilhas do arquipélago de Galápagos e conjunto de fauna e flora destas ilhas e do continente sulamericano.
Continua algum dia...
Referências:
- A Origem das Espécies (Charles Darwin)
- Aventuras e Descobertas de Darwin a Bordo do Beagle (Richard Keynes)
- Autobiografia (Charles Darwin)
- Wikipedia
Quarta-feira, Julho 22, 2009
Darwin200
O ano de 2009 foi declarado oficialmente pela ONU (Organização das Nações Unidas) o Ano Internacional da Astronomia, em celebração aos 400 anos das primeiras observações astronômicas realizadas por Galileu Galilei ao apontar sua luneta para o céu. No mesmo ano de 1609, há 400 anos, Johannes Kepler - outro gigante em cujos ombros se apoiou Newton - publicou "Astronomia Nova", no qual descrevia a Lei das Órbitas Elípticas e a Lei das Áreas, duas das três famosas Leis de Kepler. Além disso, 20 de julho de 2009 marca os 40 anos da chegada do homem à Lua, pelo menos para aqueles que acreditam (Yes, I do!). Enfim, motivos suficientes para uma festinha.
Entretanto, a comunidade científica tem os seus olhos voltados para uma outra celebração: Darwin200. Há 200 anos, em 1809, nascia Charles Darwin, o britânico que viajou em um cachorro e mudou radicalmente a forma de se entender o mundo natural. Mais importante, em novembro de 2009 fará 150 anos da publicação da 1a edição de "A Origem das Espécies", em 1859, a obra-prima do naturalista inglês, na qual apresenta suas idéias e evidências sobre a evolução por seleção natural. Darwin desafiou o pensamento de sua época e promoveu a maior revolução científica da história, unificando a biologia e afetando muitas outras áreas da ciência e do cotidiano. Motivos suficientes para muuito mais do que uma festinha.
Neste ano muitos eventos ocorreram/ocorrerão ao redor do mundo, pena que nada significativo no Brasil. As idéias de Darwin deviam ser sempre celebradas devido à sua importância. E Darwin200 dá a oportunidade de se expandir essa celebração para além da comunidade científica e divulgar corretamente a simplicidade e beleza da visão darwiniana. Darwin não estava errado. Darwin não matou Deus. Darwin simplesmente mostrou que todos os seres vivos estão interligados por um ancestral comum; e a 'simplicidade' na força da natureza para criar toda a diversidade que nos maravilha atualmente. Isso só pra começar...Terça-feira, Maio 26, 2009
Wonderwall - Oasis
(Noel Gallagher)
Today is gonna be the day
That they're gonna throw it back to you
By now you should've somehow
Realised what you gotta do
I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now
Backbeat the word is on the street
That the fire in your heart is out
I'm sure you've heard it all before
But you never really had a doubt
I don't believe that anybody feels
The way I do about you now
And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would
Like to say to you
But I don't know how
Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall
Today was gonna be the day?
But they'll never throw it back to you
By now you should've somehow
Realised what you're not to do
I don't believe that anybody
Feels the way I do
About you now
And all the roads that lead you there are winding
All the lights that light the way are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how
I said maybe
You're gonna be the one who saves me?
And after all
You're my wonderwall
I said maybe
You're gonna be the one who saves me?
And after all
You're my wonderwall
I said maybe
You're gonna be the one that saves me
You're gonna be the one that saves me
You're gonna be the one that saves me
Vídeo: Wonderwall - Oasis
Música: Wonderwall - Oasis
But I don't know how...
Terça-feira, Maio 19, 2009
A Ana - Ana Cañas
(Ana Cañas / Alexandre Fontanetti)
A Ana disse ontem
A Ana ficou triste
A Ana também leu
A Ana não existe
É a Ana insiste
A Ana não consegue
A Ana inventou
Ela também merece
A Ana é azeda
Mas é doce quando é doce
A Ana é azeda
Mas muito doce quando é doce
A Ana nada sabe
A Ana sempre canta
A Ana me enrola
A Ana me encanta
A Ana se pintou
A Ana não limpou
A Ana que escreveu
A Ana se esqueceu
Foi a Ana que fez
Foi a Ana que foi
Foi a Ana em fá
Foi a Ana, foi
A Ana ama
A Ana odeia
A Ana sonha
A Ana canta
Vídeo: A Ana - Ana Cañas
Música: A Ana - Ana Cañas
A Ana me encanta...
Quarta-feira, Junho 18, 2008
Sábado, Junho 14, 2008
Meu voto não vai para...
Será que eu acho certo aumentar meu salário e criar um imposto novo?
Se é coisa de governo x oposição, eu não sei (mas parece ser). Enfim, já sei em quem não votar.











